A construção de uma cidade por Dilsa Farias

Entre enormes montanhas e matos que furam, existia um lugar onde a terra era fértil, porém esquecida. Até que um dia começou a servir como abrigo de gado e aos poucos, foi se transformando numa imensa fazenda. Os primeiros habitantes foram chegando e o pequeno lugarejo serviria como palco para grandes histórias de amor que ajudariam na multiplicação da espécie.

Lá se encontrava água, matas, brejos de altitude, clima ameno, ar seco e agradável que um dia seria a grande atração para o surgimento de uma harmoniosa cidade.

Viveu muitos anos no isolamento total, as dificuldades de acesso eram muitas, mesmo sendo localizada num ponto bastante estratégico.

Mas este lugar não nasceu com essa finalidade e para tirá-lo deste ostracismo rotineiro, das noites frias e solitárias, do local cheio de espinhos e rochas como empecilhos, abre-se uma luz nos seus dias silenciosos para o maior empreendimento de todos os tempos: a construção de uma ferrovia que foi como uma espécie de varinha mágica para despertá-la da sua aparente letargia.

Paralelo a esse grande acontecimento chegava em nossas terras a figura de um homem rico e generoso, advindo da cidade de Pesqueira: Joaquim do Rego Maciel Didier

Joaquim Didier poderia muito bem ser comparado ao famoso Príncipe holandês, Maurício de Nassau, pois mandou construir prédios, palácios, casarios, pontes, fábricas, açudes, enfeitando o perfil do lugar sufocado pela pobreza, pela escuridão e pela falta de perspectiva.

Podemos dizer que Joaquim Didier construiu uma cidade. Aos poucos Gravatá foi recebendo lindos casarios que impressionavam a todos com tamanha beleza. Largas avenidas, frondosas árvores, Gravatá enfim, saía do seu perfil tristonho e empobrecido para galgar novos horizontes.

Era o início de tudo. Gravatá jamais ficaria no anonimato. O povo estava descobrindo sua beleza e suas riquezas naturais...

Joaquim Didier mandou construir sua primeira residência, hoje a atual Casa Paroquial, que foi gentilmente cedida por esse nobre senhor à Paróquia!

Depois foi morar no Solar Didier, atual Colégio das Irmãs Salesianas, e exerceu o cargo de prefeito por duas vezes na bela cidade que ele ajudou a construir!

E hoje, mais de um século depois, você pode andar pelas ruas de nossa cidade e apreciar algumas obras desse memorável prefeito: o Palácio Joaquim Didier (Prefeitura), o casarão ao lado, o casario da Avenida Joaquim Didier, o memorial de Gravatá, o Salão 3 SSS, a Casa Paroquial, o Mercado Cultural (que deu início na gestão dele, como prefeito), a ponte do Comércio ( que passou por manutenções) a ponte da fábrica (que também passou por manutenção), o Açude São José e a Igreja Matriz de Santana que ao partir de Gravatá deixou a quantia para que a obra fosse construída.

Vale salientar que Joaquim Didier era um homem culto, inteligente e de larga visão, pois foi contra a demolição da Capela anterior, preferindo que a nova Igreja fosse construída em outro local.

Povo inteligente preserva o passado, então preservemos as belezas que restam para que nossa cidade não mude seu perfil destruindo suas relíquias arquitetônicas.

Parabéns Gravatá, pelos 128 anos de sua Emancipação Política em 15 de março de 1893.

Dilsa Farias

Professora de Língua Portuguesa e Literatura. Atualmente, ocupa uma cadeira na Academia de Letras e Artes de Gravatá como Historiadora e Colecionadora de fotos antigas da cidade e de seu povo. Como Historiadora, ela se empenha em resgatar o passado da cidade e registrar o presente. E-mail: dilsamaria@gmail.com