Linguagem Denotativa e Conotativa com Dilsa farias


Conforme já foi explicado em artigos anteriores, existem diferentes tipos de linguagem para nos comunicarmos. O universo das palavras é intenso e através delas desenvolvemos nossa capacidade de aprender, refletir, interpretar e descobrir diferentes maneiras de se expressar. Então, podemos nos expressar de forma real, objetiva, clara e literal (sentido DENOTATIVO), ou nos expressarmos de forma indireta, criativa, interpretativa, criando um sentido figurado de acordo com o contexto, com diversos objetivos, como embelezar o texto e criar situações que desenvolvam a inteligência e a capacidade de imaginação do leitor. (sentido CONOTATIVO) A linguagem conotativa desperta a capacidade de pensar, conjecturar, imaginar, criar, portanto é muito usada na linguagem poética, nas músicas, na oratória, na Literatura e até mesmo nas expressões do dia a dia. Existem versos tão belos e com tanta criatividade que tornam os autores até imortais, pois definem a arte de usar a linguagem figurada para que as pessoas interpretem de várias maneiras e se encantem com as comparações e metáforas dando asas à imaginação. Seguem alguns exemplos com a minha interpretação pessoal, mas você pode também, interpretar ao seu modo. “Que seja infinito enquanto dure.” (Vinícius de Moraes) Percebam que ele faz uma espécie de inversão do que emitiu quando diz: que seja infinito e logo após emite: enquanto dure. Então esse infinito enquanto dure não indica sem fim como a palavra diz, ele quis dizer que esse infinito seja imenso, intenso, forte... Mas que pode ter fim, um dia... “Amor é fogo que arde sem se ver” (Luiz Vaz de Camões). Temos aí uma comparação. O autor compara o amor com a intensidade de um fogo em chamas, com o calor que invade o pensamento, o coração... E não, o fogo no sentido próprio, real. Outros versos de grande beleza poética e bastante famoso na Literatura brasileira: “ Ultima flor do Lácio, inculta e bela, És a um tempo, esplendor e sepultura:” (Olavo Bilac) Analisando os dois versos, podemos perceber como ele se refere à nossa Língua Portuguesa. Vejam, Flor do Lácio ( Lácio, região na Itália, onde nasceu o latim que deu origem às línguas neolatinas). Então, Português foi a última delas. Ele remete um elogio chamando-a de FLOR. Como o Português veio do latim vulgar, ele tenta embelezá-la criando situações interessantes: inculta e bela. És a um tempo, esplendor e sepultura. Ele quis dizer que é esplêndida, intensa, mas existem as dificuldades por ser difícil de aprendê-la e ao mesmo tempo, se tornar sepultura quando se fala ou se escreve errado! Obs.: Línguas neolatinas: Português, francês, Italiano, espanhol, romeno...



Dilsa Farias, Professora de Língua Portuguesa e Literatura. Atualmente, ocupa uma cadeira na Academia de Letras e Artes de Gravatá como Historiadora e Colecionadora de fotos antigas da cidade e de seu povo. Como Historiadora, ela se empenha em resgatar o passado da cidade e registrar o presente. E-mail: dilsamaria@gmail.com