COVID 19: a MORTE rondando nossos dias, por Diana Pessoa

De acordo com o Eclesiastes, tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; Tempo de matar, e tempo de curar; Tempo de chorar, e tempo de rir; Tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar; Pois bem, estamos atualmente vivendo o tempo de nos afastar não só dos abraços, mas de toda convivência social, é tempo de pandemia mundial, experiência inaugural para todos nós.

É verdade, estamos meio perdidos no meio disso tudo, ou melhor, estamos tentando não nos perder. Estamos experienciando um mundo diferente do qual estávamos acostumados e essa nova vivência traz consigo a necessidade de abordar assuntos que nunca gostamos muito de discutir e até, de pensar sobre. Um desses assuntos é a morte.

Mas, o que é a morte? Você saberia responder? Talvez, de forma quase que automática, você diga algo como: - morte é a ausência de vida, ora bolas! Sim! Não posso dizer que você está errado(a), o que posso, nesse momento, é ampliar um pouco mais o conceito porque estamos sedentos de significados mais profundos para um tema que mexe tanto com a gente e que nos circunda de forma ininterrupta atualmente. Antes de mais nada é preciso relembrar que a morte faz parte da vida, e eu digo isso sem nenhuma conotação filosófica, mas para colocar em pauta a única e verdadeira certeza que temos, e também porque eu nunca entendi direito por que um tema tão certeiro é tão pouco abordado e nem sequer é ensinado na escola.

Talvez seja um momento interessante para lembrar que a morte começa quando também começa a vida. Sim! Perceba! A cada ciclo de 12 horas, o dia morre para que a noite nasça, talvez você não saiba mas as nossas células morrem sistemática e periodicamente, há um ciclo constante no qual elas vão envelhecendo e morrendo, sendo substituídas por outras novas. As hemácias, também conhecidas como glóbulos vermelhos, devido à íngreme função que executam — transportando o oxigênio para os mais diversos tecidos do corpo através do sistema circulatório —, sobrevivem apenas por um pequeno período. As células do estômago e dos intestinos, por conta da ação dos ácidos estomacais, têm um período de vida de cerca de 5 dias para que a renovação ocorra.

A mãe Natureza dá aulas diárias sobre essa temática e uma delas é nos ciclos da cadeia alimentar, onde um animal morre para que outro sobreviva. A lua também nos ensina, basta olhar periodicamente para o céu e perceber que uma fase morre para que comece outra, a lagarta morre para que a borboleta voe. Nós, seres humanos, matamos 50% dos recursos naturais do planeta nos últimos 40 anos, e esses são apenas alguns dos incontáveis exemplos da “presença da morte” em nossos dias.

A morte, para muitos, se constitui no fato mais assustador da vida, frente ao qual não temos controle nem previsão e mesmo as compreensões religiosas não são necessariamente suficientes para dar um pouco de alento a muitos de nós. Talvez eu esteja enganada mas o que tenho percebido é que o número de mortes divulgado da maneira que está sendo feito, gradativamente, não causa impacto suficiente nas pessoas, é como se acontecesse um processo de acostumar-se, digo isso porque há alguns poucos dias li numa fonte segura, que a população de Gravatá não tem respeitado a quarentena como deveria e que apenas menos de 50% o tem feito, sendo assim trago aqui alguns comparativos para que, se você ainda não se conscientizou, possa fazê-lo o quanto antes.

A guerra do Vietnã durou cerca de 20 anos e nesse intervalo provocou a morte de 58.000 soldados americanos. Em poucos meses o coronavírus já matou cerca de 84.000 americanos, e cerca de 297.000 no mundo. Em 13 de maio passamos de 13.000 mortos, aqui no Brasil, com 749 registrados nas últimas 24 horas, para tomar pé dessa catástrofe, é como se caíssem três aviões e meio num único dia e morressem todos, passageiros e tripulação.

Bom, essa é a nossa desolante realidade e, talvez com essas comparações, possamos finalmente entender a importância de nos esforçar para praticar os devidos cuidados não apenas para nos proteger mas também para evitar a propagação da doença: lavar as mãos frequentemente, usar o cotovelo para cobrir a tosse e/ou espirros, não tocar no rosto se a mão não estiver limpa, manter distância segura de outras pessoas (1 metro), usar máscaras, luvas, álcool etc. e sobretudo devemos nos esforçar para ficar em casa, mesmo diante de todas as necessidades e dificuldades, sejam elas financeiras, emocionais, e/ou psicológicas, porque a morte vai chegar para todos, mas cabe a nós fazermos nossa parte para que ela não nos visite antes da hora, e também porque (mais do que nunca) precisamos reconhecer que a Vida é o que há de mais precioso a nosso alcance.

Muita gratidão a todos os profissionais de saúde que estão na linha de frente dessa pandemia. Muita gratidão a todos aqueles que estão fora de suas casas, para de alguma forma, nos servir. Namasté.


Diana Pessoa Escritora e professora de yoga zap: 81.99748-2770 instagram: @yogacotidiana & @ioga.nana


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